sábado, 15 de março de 2008

Canalha na área

Paty trabalha em uma loja. Tem um filho. Faz faculdade à noite. Vida bem corrida.

Às vezes, Roberto aparece na loja, eles conversam, mas apesar de serem solteiros, nunca houve envolvimento.

Roberto precisa viajar. Foi transferido à trabalho para o Rio de Janeiro. Passou na loja e se despediu de Paty, que desejou boa sorte e disse que eles continuariam mantendo contato, sempre que possível, pela internet.

E assim foi. Paty e Roberto começaram a se falar através da internet. No início, sem muita freqüencia, já que os encontros(virtuais) entre os dois eram raros. Nem tinham muito o que conversar, já que, quando Roberto ainda morava aqui, o contato entre eles também era um pouco superficial.
Não demorou muito para que as conversas no msn ficassem mais interessantes. Roberto gostava muito de conversar com Paty, que apesar da falta de tempo, sempre arranjava um horário pra saber das novidades.

A internet já não era suficiente. Os dois começaram a se falar pelo telefone também. Troca de mensagens, ligações no meio do expediente, na hora da aula, e Roberto foi se tornando cada vez mais presente no dia-a-dia corrido de Paty.

O tempo reservado para a saída com os amigos foi ficando escasso, já que ela preferia ficar em casa, na internet, conversando com Roberto, que ela já nem sabia mais se era só o seu amigo agora. O filho, que já sentia falta da mãe por causa do trabalho e da faculdade, só ouvia falar de Roberto, e começou a sentir mais falta ainda das coisas que faziam juntos, sempre que sobrava tempo.

Paty deixou mesmo de sair à noite, depois da faculdade, com os amigos. Fim de semana, dedicado a Roberto, que já era seu namorado - virtual - mas namorado.

Os dois se falavam o dia todo e ele só fazia planos de reencontrar Paty. Ela iria pra o Rio, conhecer a cidade e a família dele, mas antes disso, ele voltaria aqui e conheceria a família dela, inclusive o filho, que nunca tinha sido apresentado a nenhum namorado da mãe. Paty preferia não envolver a criança. Sempre foi assim, até ela conhecer Roberto.

Roberto era diferente. Todos os homens que ela tinha conhecido e se envolvido antes dele eram imaturos, não queriam saber de relacionamento sério, mentiam muito e sempre sumiam depois de uns dias... principalmente quando sabiam que ela tinha um filho. Normal, ela já estava se acostumando.

Então, apareceu esse homem perfeito, gentil, atencioso, lindo e disposto a construir uma história de vida com ela. Ah, era o sonho de Paty se tornando realidade!

O tempo foi passando e a história dos dois ficava cada dia mais séria. Paty, super apaixonada e Roberto, cheio de promessas de amor. Os dois contavam os dias pra esse encontro, que marcaria definitavamente a vida do casal.

Carnaval - Paty abriu mão - não queria sair com as amigas, já que Roberto iria ficar chateado(ele não gostava muito quando ela saia com as amigas). Preferiu ficar em casa, namorando pela internet, afinal, faltava tão pouco tempo pra ele chegar, que valia à pena. O que é um carnaval diante do grande amor da sua vida?

Um ano se passou até que Roberto conseguisse finalmente uma semana de folga e pudesse viajar. Paty estava de férias da faculdade, mas não do trabalho. Mas tudo daria certo. Pra começar, Roberto perdeu a passagem. Loucura total. Foi ao aeroporto e acabou perdendo também o vôo. Trocou o bilhete e chegou em Salvador quase 10 horas depois do previsto. Mas chegou.

Paty, que estava no aerporto à espera do seu amado, já não se continha de preocupação pelo atraso e de felicidade pela chegada dele. É impossível descrever a alegria que essa mulher sentiu ao ver, depois de um ano de namoro virtual, o homem da sua vida. Ela estava tão feliz, que não conseguia pensar em mais nada.

Roberto reservou um hotel e Paty ficou com ele durante uma semana. Todos os dias ele ia com ela ao trabalho (levar e buscar) e o tempo que os dois tinham era pra matar a saudade que a distância tinha ajudado a acumular.

Paty, que passou uma semana fora de casa com o namorado, levou a família a um restaurante para que todos pudessem se conhecer. Roberto não conheceu ninguém enquanto morava aqui.

A mãe ficou encantada com futuro "genro", já que ele falava em casamento (com Paty, não com a família dela), melhor dar nome aos bois! O filho de Paty adorou o "tio" e a relação dos dois foi de muita empatia, mesmo. Dava pra sentir que Roberto tinha gostado do menino.

Depois do almoço e das apresentações, os dois viajaram no fim de semana. Foram pra uma pousada em Jacuípe. Paraíso. Fim de semana de sonho. Estão liberadas pra imaginar tudo que aconteceu de lindo entre os dois. Finalmente, Paty encontrou a felicidade que já nem acreditava que pudesse existir. Mas ela existia, sim e tinha nome e endereço - Roberto, Rio de Janeiro.

Quando casassem, ela iria morar com ele na cidade maravilhosa. Levaria o filho, até porque ele fazia questão de cuidar do menino.
Chegou o dia da despedida. Muito choro, dos dois. Muitas promessas de reencontro. Ela seria a próxima a viajar e a conhecer a família do namorado. Ficaram no aeroporto pedindo a Deus que o tempo não passasse e que não chegasse a hora da separação.

Roberto foi embora, com lágrimas nos olhos e Paty ficou, triste e feliz(isso acontece algumas vezes!)

"Estranho, Roberto não entrou ainda no msn. Mas ele disse que logo que chegasse viria falar comigo, pra me contar sobre a viagem. Vou deixar um recado no orkut, dizendo que já estou morrendo de saudades."

E Roberto não entrou no msn. Nem respondeu o recado no orkut.

"Mais estranho ainda, deve ser algum problema com a internet. Ela nunca funciona quando a gente mais precisa. Vou ligar pra saber como ele dormiu ontem e se ele já viu o recado no orkut."

Roberto não atendeu o celular. E não retornou as ligações feitas por ela, como ele sempre fazia.
2, 3 dias... Nenhuma notícia de Roberto. Paty, que não parava de pensar no que poderia estar acontecendo, começou a sentir medo. Aquele não era o Roberto que ela namorava, sempre tão atencioso, jamais deixava de retornar uma ligação dela, responder um recado, uma mensagem.

O desespero tomou conta de Patrícia. Ela ligava e ele nunca atendia. As mensagens que ela deixava no orkut começaram a ser apagadas, todas sem resposta. No msn, ele não aparecia mais e ela já não tinha mais o que fazer.

Ligou pra casa dele e conversou com a "sogra", que a tratou friamente, tão diferente de antes. A mãe de Roberto adorava conversar com ela, saber sobre a Bahia, sobre como estava o tempo... E outras coisas mais importantes. Não parecia a mesma, essa mulher, mãe do seu amor.
Ela não deu maior satisfação e teve que desligar o telefone, pois tinha algumas coisas para fazer. Ah, não. Roberto não estaria em casa mais tarde. Ela foi taxativa.

Diante dessa dúvida que corroía as esperanças de Paty, era preciso falar com ele. Saber o que houve. Como é possível, depois de uma semana maravilhosa, de tantas promessas, tantas entregas... Ele sumir assim.

Roberto atendeu ao último telefonema de Paty. Disse que tinha mudado de emprego e que o tempo era pouco agora para internet, telefone. Ela precisava entender. Ela tentou.

Uma semana desde a última vez que ela ligou e Roberto continuava sem tempo. O fuxiqueiro do orkut avisou que ele tinha saído com os amigos no fim de semana, mas pra ela, o tempo dele não existia.

Não suportando, Paty escreveu a ele dizendo que não sabia o que tinha acontecido, mas que era melhor acabar com essa história, esse conto de fadas.

Ele não respondeu. Não ligou. Não procurou. E como diz o ditado: "Quem cala, consente." E Roberto consentiu o fim, que ele mesmo causou.

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi Manu
É difícil descrever oq a gente sente qdo é enganada assim. Só sei q é muito ruim de sentir.
Bj

Unknown disse...

Se aproveitou da bichinha e "sartou" fora. Homem é tudo igual mesmo.
Bjuzzzz
Clari

Anônimo disse...

Concordo em gênero, número e grau!
São todos iguais, sem tirar, nem pôr!!!